O que fazer se o bebê não quer comer

Bebe não quer comer o que fazer

Muitas pessoas gostariam de saber o que fazer se o bebê não quer comer, ainda mais no início da Introdução Alimentar.

Nessa transição é normal alguns bebês terem ânsia, cuspir a comida ou colocá-la toda para fora, pois até o momento o bebê está acostumado a tomar apenas leite, o seu alimento desde o nascimento.

Com isso, quando ele é exposto a novas texturas e outros sabores, pode achar estranho e até rejeitar, o que é normal nessa fase.

Neste texto será abordado um dos principais desafios na Introdução Alimentar, que é saber o que fazer se o bebê não quiser comer.

Espero tirar todas as suas dúvidas sobre esse assunto nos próximos tópicos.

Por que os bebês param de comer?

Geralmente o bebê para de comer quando acontece algo específico. Porém, existem cinco motivos básicos que fazem com que o bebê não queira comer.

Por que os bebês param de comer

Irei mostrar a diferença de cada um e como identificar esses sinais no seu bebê, são eles:

  • Sono;
  • Nascimento dos dentinhos;
  • Quando o bebê fica doente;
  • Quando o bebê chega a um ano de idade; e
  • Excesso de fome.

No início da Introdução Alimentar é muito importante que os pais tenham paciência para lidar com a criança, pois nesse momento será construído o alicerce da alimentação do bebê.

Por isso, é muito mais importante o primeiro contato e a relação que o bebê vai adquirir com a comida a partir desse momento em diante do que a quantidade de alimento que ele consome.

Se a Introdução Alimentar for conduzida de maneira adequada e em um ambiente tranquilo, o bebê começará a ter uma boa relação com a comida e poderá adquirir uma alimentação mais saudável.

Sono

Se o bebê está com sono no momento da refeição ele dará alguns sinais de que precisa descansar.

Algumas expressões são a mão no olho e o começo da irritação.

Entre comer e dormir o bebê sempre irá priorizar a necessidade do sono.

Então, o ideal nesses casos é deixar a criança descansar, evitando que ela se irrite.

Após aproximadamente 15 minutos do despertar, poderá ser oferecida uma refeição ao bebê, pois ele estará descansado, mais tranquilo e poderá aceitar com mais facilidade os alimentos.

Nascimento dos dentinhos

Na fase em que os primeiros dentinhos começam a nascer, a gengiva do bebê fica normalmente mais quente e irritada.

Isso pode fazer com que o bebê fique mais estressado, o que provoca uma diminuição na aceitação dos alimentos durante a Introdução Alimentar.

Alguns sintomas de que seu filho está no período de dentição são:

  • O bebê irá babar em excesso;
  • Ficará mais mal-humorado e irritado, pois seus dentes afiados estarão incomodando a gengiva;
  • O bebê poderá chorar mais e parar de brincar algumas vezes;
  • É comum que o bebê leve mais os objetos para a boca; e
  • Febre.

Observe se seu bebê está nesse período, pois é muito comum ele ficar sem comer ou rejeitar a comida.

Durante essa fase alimentos mais leves também podem ser oferecidos.

Na dúvida é sempre importante consultar o pediatra.

Quando o bebê fica doente

Nos casos de bebês doentes, eles costumam perder o apetite, não querem comer e preferem mamar ou tomar fórmula mais vezes ao dia. Não há problema nisso! O organismo vai se compensar assim que ele se restabelecer.

Uma dica é sempre oferecer algum alimento que ele aceite melhor. Alimentos leves como frutas são bons para o paladar e poderão ser oferecidos.

Mas atenção: não se deve forçar o bebê a comer!

É só lembrar daqueles casos em que estamos doentes, sem fome, e as pessoas forçam a gente a comer mesmo sem fome, isso ocasiona uma interação negativa com o alimento.

Então, além do bebê estar doente, ele ainda pode acabar estressado, o não é nada bom.

Em casos de doenças, procure deixá-lo mais tranquilo!

Cuide dele sempre com o leite materno ou fórmula até que melhore.

Caso a criança aceite a comida, ótimo.

Porém, se não aceitar, não é um problema!

Quando o bebê completa um ano de vida

Por volta de um ano, o bebê começa a diminuir a velocidade de crescimento. Antes de um ano, ele tende a comer mais.

Para crescer, o corpo do bebê gasta muita energia e isso faz com que alguns bebês comam um pouco mais na fase de  Introdução Alimentar.

Então, o bebê com um ano poderá comer menos porque a velocidade de crescimento diminui.

Isso faz parte do desenvolvimento da criança e ajuda na prevenção da obesidade infantil.

O excesso de fome

Os bebês precisam de uma rotina, pois isso ajuda na sua segurança e conforto.

Caso tenha passado muito da hora de comer, o bebê poderá ficar incomodado.

Quando um bebê fica muito tempo sem comer ele fica irritado e acaba perdendo a fome, pois não sabe lidar com este incômodo, passando a rejeitar comida.

Para evitar esses problemas, crie uma rotina adequada, mas não precisa ser com horários muito rígidos.

O importante é que o alimento seja oferecido no máximo até 30 minutos do horário que ele está acostumado a comer, assim, o bebê ficará mais confortável e o processo será mais fácil.

Qual a quantidade de comida que o bebê deve comer?

Essa pergunta é muito frequente nos meus atendimentos sobre Introdução Alimentar.

Os pais ficam muito ansiosos para saber a quantidade de alimento que o bebê deve consumir.

qual quantidade de comida o bebê deve comer

Porém, é importante primeiramente que os pais saibam que eles irão decidir onde, o que e o horário que o bebê irá comer, mas quem vai decidir a quantidade de alimento será o bebê.

O bebê nasce com uma capacidade de autorregulação, ou seja, ele saberá qual a quantidade de comida que deve comer.

Quando os bebês não querem mais comer eles fecham a boca, colocam a boca pro lado ou colocam o prato para frente e etc. Esses são sinais de que o bebê está satisfeito.

Portanto, não há a necessidade de insistir para que a criança coma durante a Introdução Alimentar. Cada criança saberá seus limites e quantidades.

Não existe uma quantidade mínima que o bebê deve comer, pois é muito variável e individualizada. 

O que fazer se o bebê recusar alimentos?

Como já citado anteriormente, é muito comum que os bebês recusem os alimentos no começo da Introdução Alimentar.

Porém, existem algumas estratégias que ajudam a melhorar a aceitação alimentar, confira abaixo algumas dicas.

Coma junto com o bebê

Uma forma muito boa de trabalhar a rotina e a aceitação alimentar do bebê, é comer junto com ele.

Se alguém comer junto com o bebê, além de ser um incentivo, ele também tentará imitar, estimulando a aceitação alimentar.

Dessa forma, o bebê terá mais interação e estímulos durante a refeição e será incentivado a participar das refeições com a família.

Converse com seu filho de forma amorosa

Os pais têm um jeito todo particular de falar com os filhos. Essa maneira única e carinhosa com que os pais falam com seus filhos, também conhecida como “manhês”, cria uma conexão de afeto, o que contribui para o seu bem-estar no momento da alimentação.

Assim, os bebês conseguem fazer uma conexão afetiva.

O tom de voz e o tipo de diálogo que se estabelece com os bebês pode ajudar na boa aceitação alimentar.

Deixe seu filho livre na hora da refeição

Deixe o bebê pegar e explorar a comida, no prato ou no talher, interagir e achar que aquele momento é uma brincadeira.

O brincar é a principal forma que o bebê tem de aprendizado.

Deixar o bebê pegar no alimento faz com que ele sinta a textura e ganhe a confiança necessária para colocar o alimento na boca, resultando em uma maior aceitação alimentar.

Além disso, deixar o bebê manusear alimentos e comida é um estímulo sensorial.

Ao mexer no alimento, o seu filho terá vários tipos de estímulos:  tato, olfato, audição, visão e o paladar, além da melhorar a coordenação motora.

Mantenha a calma

Um ambiente tranquilo favorece muito a aceitação alimentar no começo da Introdução Alimentar.

Imagine o seguinte ambiente: alguém briga com você, nervoso e faz pressão para você se alimentar, como você se sentiria? não é legal, não é mesmo?

Da mesma forma, se os pais brigam com o filho para que ele se alimente, vários sentimentos ruins surgem e isso afeta o bebê. Esse contexto desagradável faz com que ele tenha uma relação negativa com a comida.

Por esse motivo, o bebê precisa estar em um ambiente acolhedor, afetuoso e em harmonia.

Então, se a mãe ficar nervosa e gerar uma pressão na criança, pode fazer com que o efeito seja contrário: ele não queira se alimentar.

O recomendado é sempre manter a calma!

Reduza as distrações na hora da alimentação

O ideal é tirar todos os estímulos do ambiente: desligue a televisão, celular ou tablet e tire os brinquedos próximos. Deixe apenas a comida no cadeirão da criança, pois o bebê precisa se concentrar na alimentação no momento da refeição e se entreter com o próprio alimento.

Se existirem muitos estímulos no local, o bebê poderá perder a concentração e não comer, porque ele irá querer brincar ou fazer algo mais divertido.

Além disso, diminuir as distrações ajuda a criar o hábito de não querer assistir e comer ao mesmo tempo, o que pode contribuir para o aumento da obesidade.

Ofereça com mais frequência os alimentos recusados pelo bebê

No início da Introdução Alimentar é comum que o bebê rejeite alguns alimentos.

Muitas vezes não é o gosto da comida, ele está no processo de aprender a mastigar e experimentar novos sabores e texturas.

Nesses casos, seja persistente! Você pode sempre oferecer esse alimento mudando sua forma de preparo ou a consistência do alimento.

Estimule seu filho com as novidades de uma alimentação saudável durante a Introdução Alimentar.

Posso forçar o bebê a comer?

Muitas vezes, por não saber o que fazer se o bebê não quer comer, a mãe tenta forçar na hora da refeição.

Mas, será que isso irá contribuir para uma boa aceitação alimentar?

De jeito nenhum!

Se o bebê é forçado a comer ele se sente invadido, como se tivesse sofrido algum tipo de violência.

Isso faz com que ele comece a ter uma relação negativa com o alimento.

O bebê pode até ficar traumatizado e passar a chorar no momento da refeição ao ver o cadeirão ou a colher.  

Os momentos de refeições se tornam um momento de estresse para ele e por isso não devemos forçar o bebê a comer.

Todo esse estresse e irritação podem gerar uma repercussão a longo prazo e dificultar a aceitação alimentar, aumentando o ciclo da recusa alimentar.

Isso não contribui nada para o bem-estar do seu bebê.

Caso apareçam dúvidas ou você precise de apoio durante a Introdução Alimentar, procure um Nutricionista Materno Infantil.

Esse profissional é o mais indicado para te orientar nesse momento tão importante na vida do seu bebê.

Nutricionista materno infantil On-line

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Paula Stancari

Paula Stancari

Nutricionista Especialista em Nutrição Materno Infantil e em Saúde da Família, tutora de Aleitamento Materno pelo Ministério da Saúde e mestranda pela UNIFESP

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