Alimentação da Lactante

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A chegada de um bebê muda muitas coisas na vida de uma mulher, gerando dúvidas e preocupações principalmente em relação a alimentação da lactante.

Com o fim da rotina, dificuldade para estabelecer horários para se alimentar ou até mesmo cozinhar, podem surgir algumas dúvidas e preocupações para a lactante, pois ela sabe que a qualidade da sua alimentação influenciará na sua saúde e na qualidade do leite do bebê.

Diante disso, listei as principais dúvidas e preocupações sobre alimentação que as lactantes me trazem nos atendimentos:

Não voltar ao peso que tinha antes da gestação

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Esse é umas das principais dúvidas em relação a alimentação das lactantes, pois é muito comum encontrar mulheres relatando que após terem seus filhos nunca mais voltaram ao peso que tinham.

Nesse período é preciso ter bastante calma, uma vez que a perda de peso precisa ser gradual, sem dietas radicais para não comprometer sua saúde e a produção de leite.

Essa perda pode variar de 0,5 a 2 kg ao mês dependendo do seu estado nutricional atual e ganho de peso durante a gestação.

É importante saber que durante a gestação o corpo já faz uma pequena reserva de gordura para a fase do pós-parto, pois na amamentação a lactante gasta muita energia para produzir o leite materno.

 Ou seja, é normal que nesse período a lactante sinta mais fome.

Algumas mulheres podem apresentar um pouco mais de dificuldade em perder peso depois do parto que pode ter como causa:

  • Consumo exagerado de calorias, já que é comum que as lactantes fiquem mais tempo em casa, por isso podem ficar mais ansiosas e consequentemente beliscarem algumas guloseimas, por isso acabam ganhando um pouco de peso.
  • Sensação de fome que pode ter relação com a alimentação e também com alguma deficiência de vitaminas ou minerais, por consequência acabam comendo muito rápido e em grandes quantidades.
  • Com o retorno ao trabalho a produção de leite pode diminuir e, consequentemente, o gasto energético também será menor, com isso se a lactante não ajustar o seu consumo também pode começar a ganhar peso.

Na prática as lactantes recuperam seu peso até seis meses após o parto, algumas até um pouco antes, porém isso depende muito de cada mulher e do seu estilo de vida.

Como vocês podem perceber, a lactante passa por diversas fases no puerpério, as quais podem interferir no seu peso e uma alimentação personalizada pode fazer muita diferença.

A alimentação da lactante pode influenciar no leite materno?

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O leite materno é um alimento completo e dinâmico, pois ele muda de composição, cor e aroma de acordo com a alimentação da lactante.

Ele também ajusta a sua composição pelo estado de saúde do bebê, ou seja, quando o bebê está doente o corpo da mãe fabrica um leite especial e mais nutritivo para que o bebê se recupere mais rápido.

Eu costumo dizer que o leite materno é um alimento individualizado e personalizado para cada bebê.

Sendo assim, é possível melhorar a sua qualidade potencializando a alimentação da mãe e, desta maneira, melhorar a saúde do seu bebê.

Algumas dicas importantes para manter uma boa qualidade do leite são:

  • Tenha uma alimentação baseada em alimentos naturais e saudáveis, como por exemplo frutas, verduras e legumes, leite e derivados (queijos e iogurtes), feijões, cereais e tubérculos.
  • Evite ao máximo o consumo de produtos industrializados ricos em açúcares, sódio, gordura, conservantes, corantes e aditivos. São exemplos desses alimentos: biscoito recheado, salgadinhos, salsicha, refrigerantes, sucos de caixinha, bolos, prontos, etc..
  • Beba pelo menos 3 litros de água por dia. A falta de água compromete a produção de leite.
  • Consuma alimentos ricos em ômega3 ou utilize suplemento de Ômega 3 específico para lactante (prescrito por médico ou nutricionista), pois enriquece o leite com DHA que auxilia no bom desenvolvimento cerebral do bebê.
  • Sempre que possível utilize alimentos orgânicos, pois os agrotóxicos também podem contaminar o leite materno.
  • Não consuma nenhuma quantidade de álcool durante a amamentação. O álcool passa para o leite materno e isso pode prejudicar muito seu bebê.

Com as dicas acima é possível melhorar a qualidade desse alimento incrível, perfeito, completo e tão especial para o seu bebê que é o leite materno.

Como deve ser a alimentação da lactante de bebê com APLV?

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Percebo entre as mães de filhos diagnosticados com alergia à proteína de leite de vaca (APLV) um grande sentimento de culpa quando os sintomas no bebê são manifestados após ela ter ingerido leite e/ou derivados.

Nesse caso é recomendado retirar da alimentação da lactante tudo que puder conter proteína de leite, a fim de tentar estabelecer o bem estar do bebê.

Isto pode resultar em uma dieta extremante restrita e pobre, principalmente em cálcio e proteínas, além de risco nutricional.

Na maioria dos casos esse prejuízo nutricional não é percebido rapidamente, uma vez que a reserva de cálcio é mobilizada aos poucos.

Algumas vezes esse déficit só é percebido quando a mulher entra na menopausa, o que pode levar ao desenvolvimento de uma osteomalácia ou osteoporose.

Já a deficiência de proteína é mais rápida e visível, pois a lactante sente sua musculatura diminuindo aos poucos, aumento da flacidez e muita fraqueza.

Percebo nos meus atendimentos que algumas mães ainda ficam bem receosas em continuar a amamentação e às vezes preferem oferecer a fórmula infantil específica, pois acreditam que será o melhor para o seu bebê.

Mas definitivamente não é a melhor opção, pois o leite materno contém substâncias como probióticos e oligossacarídeos que vão ajudar na cura mais rápida da APLV, além de contribuir significativamente para o aumento da imunidade e formação do microbioma intestinal (conhecida como flora intestinal).

Nos casos em que o bebê tem APLV a avaliação da alimentação da lactante é de extrema importância para dar segurança no seguimento no aleitamento materno e para que a mãe fique bem nutrida e disposta.

É possível manter uma produção de leite sendo vegetariana ou vegana?

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Mães veganas e vegetarianas quando bem orientadas em relação a sua alimentação produzem um leite de excelente qualidade para o seu bebê.

No entanto, é necessário avaliar de forma bem detalhada a alimentação da lactante vegetariana ou vegana, a fim de propor uma alimentação/suplementação com vitaminas, minerais e, principalmente, o aporte de proteínas que nessa fase deve ser aumentado para dar conta da produção do leite materno.

Se as lactantes não tiverem um bom consumo de proteínas de origem vegetal, suas reservas serão mobilizadas para priorizar a produção de leite e a massa muscular diminuirá significativamente.

Dessa maneira podem ter aumento da flacidez, do estresse oxidativo e uma aceleração do envelhecimento do organismo.

A suplementação da mãe vegana ou vegetariana é extremamente necessária, mas deve ser bem individualizada, respeitando os hábitos alimentares da mãe e da família.

Como manter a amamentação quando retornar ao trabalho?

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O retorno ao trabalho sempre causa muitas preocupações nas mães e o seguimento do aleitamento materno nesse contexto novamente causa insegurança.

Com isso várias dúvidas podem surgir, como por exemplo:

  • Qual horário é melhor para ordenhar o leite?
  • Como fazer a ordenha desse leite?
  • Qual é a forma mais indicada de armazenar esse leite?
  • Como oferecer esse leite?
  • Posso enviar o leite para a escolinha ou creche?
  • Será que ele vai aceitar?

Essas são algumas das dúvidas mais comuns que passam pela cabeça das mamães lactantes.

Quando a lactante é bem orientada ela se sentirá mais segura e ajudará a passar por essa etapa de uma maneira mais tranquila.

Para que isso aconteça, o mais importante é que você queira continuar o aleitamento.

Algumas dicas importantes para esse momento são:

  • O leite materno pode ser ordenhado com bomba ou manualmente e pode ser armazenado por até 15 dias no freezer.
  • Se organize pelo menos 1 mês antes para comprar os potinhos de vidro ou de plástico livres de BPA para armazenar o leite.
  • 20 dias antes de voltar ao trabalho você pode começar a estimular a sua mama para que ela produza mais leite.
  • É importante ferver os recipientes por 15 minutos e deixar secando de boca para baixo para não ter contaminação.
  • Separe um local para armazenar o leite no freezer.
  • Antes de voltar ao trabalho treine a pessoa que ficará com seu bebê para oferecer o leite.
  • Evite o uso de mamadeira, pois pode o bebê pode ficar confuso com bico e desmamar.
  • Dê preferência para o copinho de pinga ou colher dosadora.
  • Beba bastante água (mais do que está acostumada).
  • Durma bem, pois você perceberá que quanto mais descansada estiver mais leite produzirá.
  • Converse com o pediatra e com uma Nutricionista Materno Infantil sobre suas dúvidas.
Paula Stancari Nutricionista On-line
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Nutricionista Materno Infantil Especialista em alimentação de lactantes, cólica de bebês, aleitamento materno e perda de peso adequada no pós-parto

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